Dia do Psicólogo, hoje escolhi a gratidão

Hoje escolhi a gratidão para homenagear a psicóloga que vive em mim.
Gratidão à psicóloga que, ainda insipiente, habitou a minha escolha profissional, sem que eu mesma imaginasse para onde, ela e eu, estávamos nos conduzindo.
Gratidão à psicóloga em mim que soube esperar por mais de 15 anos enquanto precisei sair pelo mundo, vivendo experiências outras que nem a incluíam.
Gratidão à psicóloga em mim que participou ativa e silenciosamente de uma grande crise, que por fim, a traria de volta à minha vida.
Gratidão à psicóloga em mim que, como um amálgama aproxima-me, a cada instante, das pérolas que encontro no caminho.
Gratidão à psicóloga em mim que mostra-me que escolha é autoria, é liberdade e determinação. Que de maneira alguma é vitimização e submissão.
Gratidão à psicóloga em mim que presentea-me com lucros inesperados como uma profissão renovada em vocação e auto-realização.
Gratidão à psicóloga em mim que conduz-me sempre e de novo a novos caminhos, lugares e experiências.
Gratidão à Psicóloga em mim que possibilita o encontro com alunos, colegas e pessoas que confiam à mim as suas histórias.
Gratidão à psicóloga em mim que mostra à minha filha, também psicóloga, que é possível sim, vivenciar aos 64 anos uma vida rica em possibilidades, desafios e envolvimento.
Gratidão à psicóloga em mim que mostra-me todos os dias que a Psicologia pode ampliar-se para além dos consultórios e instituições e tornar-se delicadamente uma maneira de viver.
Gratidão à psicóloga em mim que não me abandona, e a par e passo dança comigo esta grande aventura chamada vida.

Perguntaram-me outro dia

Como posso estar feliz neste instante se ando tão triste em minha vida? Estarei fingindo? Fugindo? Representando? Mas quem sou eu afinal?
Ao que respondi: E quem disse que alegria e tristeza não podem coabitar o mesmo espaço? Quem disse que não somos feitos de tristezas e alegrias que mesclam-se o tempo todo e que nada em si têm de contraditório a não ser o fato de não permitirmos que elas se aproximem, conversem, escutem uma à outra e empaticamente nos libertem às possibilidades da vida? Quem disse que não podemos pedir licença às tristezas enquanto brindamos alegres à vida de um amigo? Enquanto experimentos instantes de alegria e de felicidade?
Isto é fuga? Contradição? Ou será exatamente o seu oposto? Saúde, aceitação e criatividade?
Sim, a felicidade se apresenta assim mesmo, tantas vezes lado a lado à tristeza, tantas vezes feita em rasgos de alegria, de surpresas e emoções fugazes. Certo é que, por natureza, a felicidade esquiva-se do “para sempre” e nega-se ao determinismo e aos deterministas. Percebê-la em sua sutileza e aceitá-la, assim mesmo, do jeito que ela é e se apresenta, é estar vivo, é aproveitar o momento, é pegar o trem que rapidamente para na estação. É desafio e desafiante, mas também é o que temos e podemos enquanto percorremos o enorme desafio do viver.