Escada rolante, um convite ao devaneio

No deslizar de um andar ao outro,
uma parada em movimento.
Um nada a fazer.
Ou um muito a fazer?
Um muito a ser?
Esperar
Pensar
Inquietar
Programar
Desejar
Lembrar
Preparar
Fato é que
Entre o em cima e o embaixo ,
Entre o ainda não chegamos
E o não estamos mais no “de onde viemos”
Existe um estar sem estar
Um rolar entre espaços
Um não tempo de partidas e chegadas.
Um entre-linhas
Um entre-espaços de possibilidades,
E emoções
De quiçá, instantes “olho no olho”
De dizer “eu te amo”
De lembrar “como é bom estar contigo” (comigo)
De saudar a vida
De pegar na mão
De abraçar
De cheiro no cangote
E quem sabe da pausa para um beijo rápido?
Sim, tudo isso e tanto mais em segundos
Neste tempo de não-tempo, de não-apego
Pois simples assim, chegamos ao nosso destino
E rolam as escadas e rola a vida, que ganha uma escala a mais,
embalada em devaneios.